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Passa de mil o número de mortos após enchentes e deslizamentos de terra entre Nepal e Tibete

today01/09/2026 31

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O Ministério das Relações Exteriores do Nepal anunciou nesta terça-feira que o número de mortos no país subiu para 1.050, após a devastadora avalanche seguida por inundações que atingiu a região na fronteira com o Tibete. À medida que os trabalhos de busca avançam, com cerca de 21 mil policiais e militares mobilizados, as autoridades nepalesas mantêm uma atualização constante sobre o número de vítimas e total de pessoas resgatadas, enquanto na região autônoma da China, o governo retém informações. A mídia estatal chinesa havia confirmado anteriormente 16 mortes, número que ativistas tibetanos afirmam estar muito aquém da tragédia real.

Em um balanço atualizado na tarde desta terça-feira (manhã em Brasília), o porta-voz da chancelaria nepalesa Lok Bahadur Chhetri afirmou que o total de mortos confirmados pelas autoridades condiz com o número de corpos recuperados. Uma cifra atualizada de desaparecidos citou 3.916 pessoas cujo paradeiro é desconhecido, incluindo estimados 590 estrangeiros de 39 nacionalidades. Mais de 11,8 mil pessoas foram resgatadas até o momento, incluindo 324 estrangeiros.

A autoridade acrescentou que as prioridades definidas pelo governo são: salvar vidas, localizar desaparecidos, resgatar sobreviventes e prestar assistência urgente aos afetados — que, segundo agências internacionais, somam dezenas de milhares de pessoas. Equipes especializadas em resgate em túneis trabalham para localizar pessoas que se teme estarem presas em túneis de usinas hidrelétricas ao longo do rio Trishuli, incluindo as instalações de Chilime, Langtang e Trishuli 3A.

A operação inclui escavações, perfurações e mesmo detonações de explosivos para abrir espaço entre os escombros — em uma corrida contra o tempo e sob condições perigosas. Acredita-se que grande parte dos trabalhadores desaparecidos estejam no interior dos túneis de estruturas hidrelétricas. O porta-voz do Exército Raja Ram Basnet afirmou que os soldados “também estão mobilizados para recolher corpos e evitar a propagação de doenças”.

Com os necrotérios superlotados no Nepal, as autoridades começaram a enterrar centenas de corpos não identificados após coletas de amostras de DNA. Familiares de desaparecidos espalharam fotos em hospitais de Katmandu, para onde sobreviventes estão sendo encaminhados, na tentativa de encontrar algum sinal dos parentes.

Enquanto as autoridades no Nepal oferecem um panorama que permite avaliar a dimensão da crise, o governo chinês mantém o silêncio diante do cenário catastrófico revelado pelas imagens captadas no Tibete, enquanto as operações de busca estão em andamento. A mídia estatal chinesa se referiu a 16 mortos e 546 desaparecidos na região autônoma, número que críticos consideram subestimado.

A Rádio Tibete, sediada na vizinha Índia, afirmou ter reunido informações sobre aproximadamente 25 mortes na região: 15 na área de fronteira e dez envolvendo indivíduos que estavam no local a negócios ou a trabalho. Tibetanos exilados na Índia, em contato com parentes na região de Gyirong, relataram que cinco vilarejos foram afetados, e que rituais funerários estavam sendo realizados, para um número estimado de ao menos 24 pessoas. Também não haveria informações sobre um grande número de trabalhadores de Lhasa e Shigatse, que estaria em um canteiro de obras no momento da torrente.

Outras estimativas são ainda maiores. Tencho Gyatso, presidente da Campanha Internacional pelo Tibete, pediu a Pequim que divulgasse “informações completas e verificáveis ​​sobre os danos e as vítimas”, após o grupo informar que suas fontes em solo mencionam quatro vilarejos afetados, e “mais de 300 casas destruídas”. O líder espiritual budista Dalai Lama, exilado na Índia desde 1959, disse estar rezando por todos os que morreram.

O escritório de cibersegurança do Ministério da Segurança Pública da China anunciou na segunda-feira que estava identificando e punindo pessoas que estariam espalhando informações falsas sobre a crise, incluindo números superestimados de mortos. A punição aplicada, porém, não foi detalhada.

O fenômeno foi comparado por sobreviventes a uma tsunami no meio do Himalaia. A avalanche na montanha foi tão forte que o impacto foi inicialmente confundido com um terremoto. A torrente provocada pela descarga de energia cinética arrastou tudo pelo caminho, incluindo casas e pontes. A Índia informou ter recuperado 17 corpos no estado fronteiriço de Uttar Pradesh, apontando-os como prováveis vítimas das enchentes, carregadas pela força das águas.

O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, afirmou que a avalanche mortal “não foi um evento comum”, mas sim desencadeada pelas mudanças climáticas, e exigiu ação internacional. Embora a causa exata do colapso glacial permaneça incerta, as mudanças climáticas estão provocando o derretimento de massas de gelo em todo o mundo, aumentando o risco de desastres como esse. Cientistas observam que o Himalaia, a cordilheira mais alta do mundo, está derretendo mais rapidamente à medida que as temperaturas globais aumentam.

Com informações da AFP e do Portal O Globo

Escrito por Equipe BIG FM

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